Resenhoteca – opinião cultural

Archive for the ‘Filme vs. Livro’ Category

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Como ninguém é apenas intelectual, decidi postar sobre um filme bastante “não-cult”. “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” (Confessions Of a Shopaholic, EUA, 2009) foi a escolha da vez. Quem sabe assim nosso blog faça mais sucesso!!! Claro que assisti ao filme pois mamãe fez uma assinatura ótima na Blockbuster em que posso pegar três filmes por vez (sem prazo de entrega) pagando um preço razoável, sem contar que leva e traz [quer mais que isso?]. Merchans à parte, acredito que assistiria ao filme de qualquer forma, pois gosto de ver coisas que me divirtam e que não me faça pensar (só de vez em quando).

Bom, vamos ao filme:
Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é um jornalista que sonha em trabalhar numa revista de moda e para isso consegue um emprego como jornalista econômica numa revista da mesma editora. Mas com um único problema, além de não entender nada sobre economia, ela mesma tem grandes problemas em controlar-se perante uma vitrine. Afundada em dívidas, Rebecca acaba por se tornar contraditória, mas ao mesmo tempo faz com que os leitores entendam mais sobre economia.


Um filme ótimo para a sessão da tarde: diverte e ainda traz uma lição de moral (ou de como viver numa sociedade consumista). Entretanto, fiquei intrigada com duas coisas: o título, pois em nenhum momento do filme Rebecca Blomwood é chamada de Becky Bloom, ao contrário, este nome foi descartado na escolha por seu nome artístico; e, será que todas as editoras-chefe de moda são terríveis?
Uma última informação: também é um filme baseado no livro de mesmo nome da escritora Sophie Kinsella. Mas sobre isso, nada tenho a dizer, por enquanto, pois não o li.

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Da cabeça de um apaixonado por tecnologia e estudos de astronomia, nasceu a série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias. Inocentemente fingindo ser mais uma obra de EXTREMA ficção científica, os livros de Douglas Adams relatam as aventuras, tropeços e desencontros espaciais do terráqueo Athur Dent, que passa a ser um viajante espacial logo depois que é salvo  da destruição do planeta Terra para a construção de uma via expressa. Mas a doideira não acaba por aí: ele é resgatado da Terra por um amigo que ele pensa ser terráqueo, mas na verdade é um disfarçado mochileiro das galáxias do planeta Betelgeuse que se apresenta como Ford Prefect. Além de alienígena, ele também é um dos milhares de editores da obra mais famosa e enorme de todos os sistemas – O Guia do Mochileiro das Galáxias, um livro que se propõe a dar todas as orientações necessárias para um aventureiro espacial [como sempre levar uma toalha para onde quer que você vá], e que tem na capa a sua dica principal: NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Só essa micro sinopse pode causar um grande UAUMAS…? em nossas cabeças, mas não se deixe enganar pela vibe nonsense que a trilogia de cinco livros [!!!]  carrega. Ela acaba falando muito mais sobre nós mesmos e sobre todos os defeitos presentes no nosso mundo do que podemos imaginar.

Os principais alvos da crítica do cético e desconfiado Douglas Adams são a política e a burocracia. Alguns dos mais engraçados retratos são os que descrevem sociedades inteiras baseadas em papeladas inexplicáveis, em governos xenófobos e em líderes megalomaníacos. E ele apresenta todas essas críticas no ritmo em que Arthur Dent vai aprendendo mais sobre os mundos em que vive.

 

Na verdade, Arthur vai desvendando e se entendendo gradualmente, na mesma velocidade em que compreendemos as críticas e tomamos diversos ataques retóricos de Adams. Cada livro traz uma diferente leitura “espacial” sobre os nossos problemas “terrestres”. Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, Arthur é obrigado a viver com o estranhamento natural de um estrangeiro que perdeu sua terra e precisa reaprender a se relacionar com os novos povos que conhece. Já em O Restaurante do Fim do Universo, ele é obrigado a conhecer as verdadeiras origens dos habitantes da Terra: medíocre, simples e extremamente vaidosa.

Depois de quase ficar louco, A Vida, O Universo e Tudo Mais é a aventura na qual Arthur, Ford, a terráquea Trillian e o psicótico Zaphod Beeblebrox [o presidente do Universo!] precisam salvar a galáxia dos ataques de uma civilização isolada que se torna xenófoba após descobrir não ser a única no Universo. Alguma semelhança com a realidade imperialista vivenciada no século XIX por… nós humanos? E no Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! Arthur, novamente na Terra e a salvo [será?] encontra alguém que finalmente lhe compreende e descobre que, ao final, nem todo o Universo precisa ter um propósito certo para existir. Ele simplesmente é, e faz bem por ser assim.

Mas é claro que se a narrativa louca já é hipnotizante, os personagens são um espetáculo excepcional. Só que pouco restaria da graça da série se não houvesse um robozinho por lá, com o cérebro do tamanho de diversos planetas e um corpo pequeno e com sérios problemas de cifose – a famosa concurda. Marvin é o nome dele, e sua mais importante caracteristica é a sua desgraça: um chip de personalidade humana, que o torna no ser mais depressivo de todo o universo – e, ironicamente, o mais engraçado!

Além disso, Douglas Adams também nos fornece a resposta para A Vida, O Universo e Tudo Mais… mas de que adianta ela sem a pergunta? Para quem souber, aí fica ela: QUARENTA E DOIS.

P.S.: O filme homônimo é mais baseado no primeiro livro e é uma opção divertida para quem tem preguiça de ler todos os livros. Mas ficadica de professor de colegial: a experiência NUNCA vai ser mesma, é sempre melhor ler a obra. O que posso recomendar de melhor no filme é a cena inicial, que é uma grande piada interna para os leitores e um engraçado soco na cara de todos que assistem:

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Budapeste, filme inspirado na obra de Chico Buarque

Budapeste, filme inspirado na obra de Chico Buarque

Filmes baseados em livros sempre dão espaço para polêmica e questionamento.  O grande problema enfrentado pela maioria dos roteiros adaptados é supor que o público já leu a obra e deixar lacunas de interpretação, que só podem ser preenchidas por uma leitura prévia. Cris já havia explicado isso no post sobre Benjamin Button e também me avisou sobre esse problema ao sairmos da sala de exibição de Budapeste, na Reserva Cultural. E eu realmente senti que nem todas as histórias foram completamente explicadas, mas, ainda assim,fazendo um esforço, pude chegar a coclusão máxima de que este é o filme de um homem que busca se encontrar no mundo. Um produção portuguesa, brasileira e húngara dirigida por Walter Carvalho que convida a reflexões e dúvidas.

Mas vamos a uma breve sinopse. José Costa [o ator Leonardo Medeiros] é um ghost-writer que vive de passar para o papel histórias, discursos e textos que os autores não tem habilidade para escrever. Um de seus escritos passa a ser um grande sucesso e isso lhe causa certa indignação, já que não teria o reconhecimento desejado mesmo por ele, que não assume tal vontade. Depois deste episódio, ele deixa sua mulher e filho no Brasil e parte para a Hungria, a terra de uma língua que lhe fascina, para procurar uma nova identidade e se encontrar.

O novo Zsosé e a professora Kriska
Uma vez lá, a terra lhe acolhe de forma bela e inesperada. Em uma livraria, a húngara Kriska [a bonita Gabriella Hámori] assume o papel de guia para Costa, ao mesmo tempo em que o obriga a aprender a língua para poderem se comunicar. Com a irresístivel colocação de que “o húngaro é a única língua que o diabo respeita”, ela o transporta para um fascinante mundo novo, onde ele busca se redescobrir e encontrar um novo sentido para sua vida e sua profissão. Ele ganha um novo nome, [Kósta Zsosé],  invertido do seu nome brasileiro e frustrado, e só isso já diz mais do que devia sobre os rumos finais do filme.

O “jogo de espelhos” ao qual se referia o Guia da Folha quando descrevia o filme foi bastante preciso. José Costa, Kósta Zsosé, quem é ele realmente? A ambiguidade  de imagens e contextos é aplicada durante todo o filme, o que o faz uma grande confusão a ser desvendada. É um exercício de raciocínio, com certeza, talvez com alguns espaços a serem preenchidos… Mas com certeza um convite a leitura do livro ou a uma observação mais delicada das palavras de Chico Buarque.

No começo do ano assisti ao filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Me interessei pelo trailer e, é claro, pelo Brad Pitt. O filme é muito bom, bem feito e bem interessante. Se passa no final da Guerra Civil Americana, se não me falha a memória e traça bem o período vigente – pelo vestuário, cultura, sotaque etc. E a princípio achei que, diferente da maioria dos filmes que são baseados em livros, o filme foi muito bem feito e não teria como ser ruim.

Esses últimos dias, resolvi ler o conto que deu origem ao filme, de F. Scott Fitzgerald. Fiquei realmente espantada! O conto é MUITO diferente do filme. As únicas semelhanças são: o bebê que nasce velho e rejuvenesce e os nomes dos personagens. De resto….. nadinha!

Mas podemos tirar uma boa conclusão disto tudo: o conto e o filme são ótimos e valem a pena ser lidos e assistidos. Mas não gerem expectativa sobre um nem outro.

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