Resenhoteca – opinião cultural

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Já que estamos de férias vou postar aqui uma resenha escrita ano passado (2ºJOs não copiar!!!!) na matéria do querido prof Fuser.

Uma bela lição de jornalismo

As reportagens do jornalista Zuenir Ventura sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes foram publicadas no livro Chico Mendes – Crime e Castigo. Dividido em três partes de acordo com as suas viagens ao Acre: o crime, a primeira viagem em março de 1989 após a morte (dezembro/1988), o castigo, dois anos depois, e quinze anos depois, para ver como estava a cidade de Xapuri, onde morava o seringueiro, um tempo depois do assassinato do grande líder seringalista.
Para um jornal cobrir um fato que já havia acontecido, só mandando seu melhor jornalista. E nisso acertou o Jornal do Brasil mandando Zuenir Ventura, que também apesar dos mais de trinta anos de carreira aceitou com a maior humildade e encarou como se fosse um principiante, mas é claro que não era. Com uma apuração impecável, Ventura procurou “mostrar todos os lados de uma história que, no fundo, tinha um lado só”, como disse Marcos Sá Corrêa no posfácio do livro.
A isenção não está presente como deveria estar no jornalismo, mas onde há isenção no jornalismo? Aprendemos durante quatro anos que temos que ser isentos, imparciais, mas são coisas que praticamente não vemos no jornalismo de ultimamente. E, como não tomar partido num caso desses em que não é tão claro quem foi o assassino, mas o motivo de sua morte é óbvio. Entretanto, Ventura mergulhou tão profundamente em suas entrevistas e apurações que não como se emocionar com alguns personagens. E a emoção foi tanta que o jornalista “adotou” o menino Genésio, a grande testemunha do caso, só não sei se foi por afeição ou por proteção. Gosto de acreditar que foi pelos dois.
Além de uma lição de jornalismo, o autor se aproxima do leitor tanto no formato da escrita, que é próxima sem ser informal, como em seu conteúdo. Junto com as reportagens estão alguns relatos do cotidiano de Ventura, como quando estava no meio do mato e contou: “Com fobia doentia de cobra, a ponto de não poder vê-las nem em foto, procuro controlar meu pânico enquanto vou ouvindo as lições de Nilson, que pareciam todas voltadas a mim.”
A descrição também é de se invejar. Ventura consegue situar tão bem o leitor que quase ouço os zunidos dos milhares de mosquitos acreanos. Sinceramente, quando lia algo sobre mosquitos tive uma certa aflição, porque assim como o autor tenho certa repugnância, além de alergias. Levando-nos ao exato local e período em que esteve em Xapuri, Acre, imaginamos os personagens apenas pelas palavras – “A sua magreza lembrava um galho seco a que se tivesse enrolado uma folha de pelo curtida pelo sol que mal cobria o esqueleto. (…) Era uma lagartixa ereta, se esse bicho não fosse inofensivo.” ao descrever o velho Darly Alves no presídio de Rio Branco. Ao vê-los em filmes, na televisão, em fotos descobrimos que o que foi lido não poderia ser melhor descrito.
Após a leitura, até dá uma vontade de ir ao Acre ver como estão todas as reservas extrativistas, o Projeto Seringueiro de Chico Mendes, o Comitê Chico Mendes, ver o que foi feito vinte anos depois da morte do grande líder dos seringueiros. Mas parece que no Brasil não foi feito muito. Em fevereiro do próximo ano fará quatro anos do assassinato da missionária Dorothy Stang, que morreu com um ideal parecido com o de Chico Mendes. O livro nos dá uma esperança, mas os noticiários não.
Fico imaginando como seria ter lido as reportagens na época em que saíram no jornal. Algo como um saudosismo dos tempos de folhetim, quando as senhorinhas que liam as grandes literaturas que vinham aos capítulos nos jornais. Como seria emocionante ler uma reportagem a cada dia. O que vai acontecer amanhã? Mais emocionante seriam mais reportagens como essas nos jornais diários.

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São tantas as reflexões sobre uma possível reforma na Lei Rouanet, que a princípio era uma forma de fomentar a cultura, mas aqueles que tem menos chance de conseguir um patrocínio. Mas parece que não é bem assim… Li o texto abaixo e achei interessante, como uma forma de reflexão sobre como é usado o dinheiro público.

Garota é uma lição para Ivete Sangalo

Giulia Olsson tem 14 anos e estuda no ensino médio na Flórida. Nos últimos meses, ela vendeu limonada na rua, lavou carros, disparou e-mail por várias partes do mundo para arrecadar dinheiro destinado à orquestra sinfônica de Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Conseguiu levantar R$ 30 mil.

Giulia está, nesse momento, ensinando violino para as crianças da sinfônica e vai se apresentar na Sala São Paulo — a história detalhada está no http://www.catracalivre.com.br.

É uma lição para celebridades como Ivete Sangalo e Caetano Veloso, entre outras celebridades brasileiras, que vem conseguindo dinheiro público para seus shows. Uma das justificativas dadas pelo Ministério da Cultura para aprovar a concessão do benefício à turnê de Caetano Veloso (um benefício totalmente dentro da lei, diga-se), é que Ivete Sangalo, montada nos seus milhões de reais, com plateias cheias, também ganhou –assim como Maria Bethânia.

Todas essas celebridades fariam melhor a elas mesmas e ao país se, como Giulia, pelo menos compartilhassem suas experiências com estudantes.

Enquanto uma menina de classe média se empenha em ajudar uma comunidade, transformando dinheiro privado em ação pública, a Lei Rouanet tem permitido o contrário –dinheiro público voltado a interesses privados.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha.

Olá, leitores!!!!

Eu e Camilla tentaremos fazer um blog com nossas opiniões sobre cinema, teatro, dança, música e tudo o mais que venha a ser cultura da atualidade ou que ultimamente decidimos ler ou assistir.
E como prováveis novas jornalistas no mercado, temos que estar atualizadas a qualquer tipo de cultura, do mais popularesco, passando pelo pop (que assumimos gostar) até o mais cult (que estamos tentando tornar parte do nossas vidas).
Bom, é isso aí! Espero sucesso e que não seja mais um blog no ar…