Resenhoteca – opinião cultural

Budapeste, filme inspirado na obra de Chico Buarque

Budapeste, filme inspirado na obra de Chico Buarque

Filmes baseados em livros sempre dão espaço para polêmica e questionamento.  O grande problema enfrentado pela maioria dos roteiros adaptados é supor que o público já leu a obra e deixar lacunas de interpretação, que só podem ser preenchidas por uma leitura prévia. Cris já havia explicado isso no post sobre Benjamin Button e também me avisou sobre esse problema ao sairmos da sala de exibição de Budapeste, na Reserva Cultural. E eu realmente senti que nem todas as histórias foram completamente explicadas, mas, ainda assim,fazendo um esforço, pude chegar a coclusão máxima de que este é o filme de um homem que busca se encontrar no mundo. Um produção portuguesa, brasileira e húngara dirigida por Walter Carvalho que convida a reflexões e dúvidas.

Mas vamos a uma breve sinopse. José Costa [o ator Leonardo Medeiros] é um ghost-writer que vive de passar para o papel histórias, discursos e textos que os autores não tem habilidade para escrever. Um de seus escritos passa a ser um grande sucesso e isso lhe causa certa indignação, já que não teria o reconhecimento desejado mesmo por ele, que não assume tal vontade. Depois deste episódio, ele deixa sua mulher e filho no Brasil e parte para a Hungria, a terra de uma língua que lhe fascina, para procurar uma nova identidade e se encontrar.

O novo Zsosé e a professora Kriska
Uma vez lá, a terra lhe acolhe de forma bela e inesperada. Em uma livraria, a húngara Kriska [a bonita Gabriella Hámori] assume o papel de guia para Costa, ao mesmo tempo em que o obriga a aprender a língua para poderem se comunicar. Com a irresístivel colocação de que “o húngaro é a única língua que o diabo respeita”, ela o transporta para um fascinante mundo novo, onde ele busca se redescobrir e encontrar um novo sentido para sua vida e sua profissão. Ele ganha um novo nome, [Kósta Zsosé],  invertido do seu nome brasileiro e frustrado, e só isso já diz mais do que devia sobre os rumos finais do filme.

O “jogo de espelhos” ao qual se referia o Guia da Folha quando descrevia o filme foi bastante preciso. José Costa, Kósta Zsosé, quem é ele realmente? A ambiguidade  de imagens e contextos é aplicada durante todo o filme, o que o faz uma grande confusão a ser desvendada. É um exercício de raciocínio, com certeza, talvez com alguns espaços a serem preenchidos… Mas com certeza um convite a leitura do livro ou a uma observação mais delicada das palavras de Chico Buarque.

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No começo do ano assisti ao filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Me interessei pelo trailer e, é claro, pelo Brad Pitt. O filme é muito bom, bem feito e bem interessante. Se passa no final da Guerra Civil Americana, se não me falha a memória e traça bem o período vigente – pelo vestuário, cultura, sotaque etc. E a princípio achei que, diferente da maioria dos filmes que são baseados em livros, o filme foi muito bem feito e não teria como ser ruim.

Esses últimos dias, resolvi ler o conto que deu origem ao filme, de F. Scott Fitzgerald. Fiquei realmente espantada! O conto é MUITO diferente do filme. As únicas semelhanças são: o bebê que nasce velho e rejuvenesce e os nomes dos personagens. De resto….. nadinha!

Mas podemos tirar uma boa conclusão disto tudo: o conto e o filme são ótimos e valem a pena ser lidos e assistidos. Mas não gerem expectativa sobre um nem outro.

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Eu e Camilla tentaremos fazer um blog com nossas opiniões sobre cinema, teatro, dança, música e tudo o mais que venha a ser cultura da atualidade ou que ultimamente decidimos ler ou assistir.
E como prováveis novas jornalistas no mercado, temos que estar atualizadas a qualquer tipo de cultura, do mais popularesco, passando pelo pop (que assumimos gostar) até o mais cult (que estamos tentando tornar parte do nossas vidas).
Bom, é isso aí! Espero sucesso e que não seja mais um blog no ar…