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Da cabeça de um apaixonado por tecnologia e estudos de astronomia, nasceu a série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias. Inocentemente fingindo ser mais uma obra de EXTREMA ficção científica, os livros de Douglas Adams relatam as aventuras, tropeços e desencontros espaciais do terráqueo Athur Dent, que passa a ser um viajante espacial logo depois que é salvo  da destruição do planeta Terra para a construção de uma via expressa. Mas a doideira não acaba por aí: ele é resgatado da Terra por um amigo que ele pensa ser terráqueo, mas na verdade é um disfarçado mochileiro das galáxias do planeta Betelgeuse que se apresenta como Ford Prefect. Além de alienígena, ele também é um dos milhares de editores da obra mais famosa e enorme de todos os sistemas – O Guia do Mochileiro das Galáxias, um livro que se propõe a dar todas as orientações necessárias para um aventureiro espacial [como sempre levar uma toalha para onde quer que você vá], e que tem na capa a sua dica principal: NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Só essa micro sinopse pode causar um grande UAUMAS…? em nossas cabeças, mas não se deixe enganar pela vibe nonsense que a trilogia de cinco livros [!!!]  carrega. Ela acaba falando muito mais sobre nós mesmos e sobre todos os defeitos presentes no nosso mundo do que podemos imaginar.

Os principais alvos da crítica do cético e desconfiado Douglas Adams são a política e a burocracia. Alguns dos mais engraçados retratos são os que descrevem sociedades inteiras baseadas em papeladas inexplicáveis, em governos xenófobos e em líderes megalomaníacos. E ele apresenta todas essas críticas no ritmo em que Arthur Dent vai aprendendo mais sobre os mundos em que vive.

 

Na verdade, Arthur vai desvendando e se entendendo gradualmente, na mesma velocidade em que compreendemos as críticas e tomamos diversos ataques retóricos de Adams. Cada livro traz uma diferente leitura “espacial” sobre os nossos problemas “terrestres”. Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, Arthur é obrigado a viver com o estranhamento natural de um estrangeiro que perdeu sua terra e precisa reaprender a se relacionar com os novos povos que conhece. Já em O Restaurante do Fim do Universo, ele é obrigado a conhecer as verdadeiras origens dos habitantes da Terra: medíocre, simples e extremamente vaidosa.

Depois de quase ficar louco, A Vida, O Universo e Tudo Mais é a aventura na qual Arthur, Ford, a terráquea Trillian e o psicótico Zaphod Beeblebrox [o presidente do Universo!] precisam salvar a galáxia dos ataques de uma civilização isolada que se torna xenófoba após descobrir não ser a única no Universo. Alguma semelhança com a realidade imperialista vivenciada no século XIX por… nós humanos? E no Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! Arthur, novamente na Terra e a salvo [será?] encontra alguém que finalmente lhe compreende e descobre que, ao final, nem todo o Universo precisa ter um propósito certo para existir. Ele simplesmente é, e faz bem por ser assim.

Mas é claro que se a narrativa louca já é hipnotizante, os personagens são um espetáculo excepcional. Só que pouco restaria da graça da série se não houvesse um robozinho por lá, com o cérebro do tamanho de diversos planetas e um corpo pequeno e com sérios problemas de cifose – a famosa concurda. Marvin é o nome dele, e sua mais importante caracteristica é a sua desgraça: um chip de personalidade humana, que o torna no ser mais depressivo de todo o universo – e, ironicamente, o mais engraçado!

Além disso, Douglas Adams também nos fornece a resposta para A Vida, O Universo e Tudo Mais… mas de que adianta ela sem a pergunta? Para quem souber, aí fica ela: QUARENTA E DOIS.

P.S.: O filme homônimo é mais baseado no primeiro livro e é uma opção divertida para quem tem preguiça de ler todos os livros. Mas ficadica de professor de colegial: a experiência NUNCA vai ser mesma, é sempre melhor ler a obra. O que posso recomendar de melhor no filme é a cena inicial, que é uma grande piada interna para os leitores e um engraçado soco na cara de todos que assistem:

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No começo do ano assisti ao filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Me interessei pelo trailer e, é claro, pelo Brad Pitt. O filme é muito bom, bem feito e bem interessante. Se passa no final da Guerra Civil Americana, se não me falha a memória e traça bem o período vigente – pelo vestuário, cultura, sotaque etc. E a princípio achei que, diferente da maioria dos filmes que são baseados em livros, o filme foi muito bem feito e não teria como ser ruim.

Esses últimos dias, resolvi ler o conto que deu origem ao filme, de F. Scott Fitzgerald. Fiquei realmente espantada! O conto é MUITO diferente do filme. As únicas semelhanças são: o bebê que nasce velho e rejuvenesce e os nomes dos personagens. De resto….. nadinha!

Mas podemos tirar uma boa conclusão disto tudo: o conto e o filme são ótimos e valem a pena ser lidos e assistidos. Mas não gerem expectativa sobre um nem outro.

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